Pedro Costa
“Só deixamos os ossos...”

O cineasta português Pedro Costa não vem ao Brasil em agosto. Havia um convite para ministrar master class em festival na Bahia. Nem seus filmes. O autor de “Juventude em Marcha” entrou em litígio com o Instituto Camões por discordar do formato, em DVD, através do qual seus filmes estavam sendo exibidos. No entanto, apenas o seguro de uma das cópias em 35mm dos seus primeiros filmes - “Sangue”, por exemplo – ultrapassa os 3 mil euros.
Assim, resta matar a saudade de Pedro e suas extraordinárias obras por outros meios. Confiram trecho de entrevista publicada pelo Jornal de Notícias, com a assinatura de  João Antunes...

Como viveu a experiência no Festival de Cannes?

Pedro Costa - Foi divertido porque levei alguns atores do filme {Juventude em Marcha}. O objetivo era divertir-nos e mostrar o que é o outro lado. Eles só conhecem o lado do trabalho, às vezes chato, nem sempre entusiasmante, e eu quis mostrar um mundo que está a anos-luz de nós. Fomos jantar a casa dos ricos, é isso que a gente diz. Só deixamos os ossos e viemos embora.

A Marselhesa

Com o quê sonham os franceses?

Existem homens capazes de encarnar os melhores ideais de um País. O francês Jean Renoir é um deles. Filho do famoso pintor impressionista, Auguste Renoir, ele não só alcançou, no cinema, a mesma estatura artística do pai na pintura, como pode se dizer, sem exagero, ajudou a renovar, pelo seu exemplo pessoal, o que de melhor poderíamos sonhar para a França...Para além dos lemas revolucionários de fraternidade, igualdade e liberdade.
Portanto, "A Marselhesa", obra-prima recém lançada em DVD, marca esse momento privilegiado no qual Renoir transpõe para a tela a matéria das utopias formadoras de sua própria mentalidade.
O registro dos episódios históricos que constituíram a Revolução Francesa, sob sua ótica, harmonizam o épico e o pormenor.Os atos heroícos emergem da espontaneidade dos pequenos gestos. Resta os homens antes dos símbolos.
Assim, "A Marselhesa" é um drama de época construído nas antípodas dos grandes afrescos históricos do cinema. Renoir contrapõe ao senso de espetáculo de um Cecil B. De Mille, a simplicidade calorosa de sua mise-en-scène. Não pretende, à maneira de Griffith, tornar tudo "maior que a vida", mas restituir aos protagonistas anônimos da revolução uma certa dimensão cotidiana. Daí a perenidade de seu filme. Renoir observa, com o afeto que lhe é característico, que as grandes transformações são conquistas do dia-a-dia.

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