Rocco e seus irmãos


Visconti: O estilo faz o homem



“A arte é:...’Quando a forma se converte em estilo’. Portanto, o que é o estilo senão o homem...Em outras palavras...Arte é quando a forma se humaniza”.


JLG



Como o príncipe de Salina, em “O Leopardo”, Luchino Visconti pertence a uma geração jogada entre dois mundos e deslocada em ambos. Aristocrata marxista, não mais reconhecia na sociedade italiana do século XX os ritos, códigos e laços com os quais sua origem nobre se filiava. E se era irremediável uma nova ordem, que fosse a do povo. Mas também essa utopia não demoraria a perecer. Duplamente desencantado, Visconti desenvolveu uma obra em duas fases e toda ela marcada por essa experiência que acrescentaria definitivamente algo de trágico e pessimista ao seu olhar.


“Rocco e Seus Irmãos” representa o amadurecimento desse processo de transição. Dos primeiros trabalhos de inspiração neo-realista (“Obsessão”, “Belíssima” e “A Terra Treme”) às obras que mais diretamente passam a incorporar, sem o álibi do semidocumental, a complexidade de referências e obsessões de seu criador.


O próprio Visconti reconhecia na época de lançamento de “Rocco...” que, a partir de então, se permitiria buscar efeitos psicológicos e estéticos evitados pelo neo-realismo. Para a composição do argumento do filme, o cineasta baseou-se em contos do milanês Giovanni Testori, com influência de “José e Seus Irmãos”, de Thomas Mann, e “O Idiota”, de Dostoiévski. A estrutura remete à tragédia grega.


Mas o que já se anunciava em “Rocco...” e se consolidaria em sua filmografia posterior, é a noção de imobilidade e impotência. Os movimentos na sociedade não passam de uma ilusão de ótica. E o “Leopardo” é exemplar nesse sentido.


Não por acaso um dos traços de sua refinada mise-en-scéne nessa fase é o anacrônico zoom, que emula o efeito de um travelling para flagrar seus personagens imobilizados, perplexos. É quando aquela câmera que parece flutuar, requintada e elegante, pára. Em última instância, ela se humaniza.

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