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Godard on tube

 

Pequena mudança na linha editorial do Bressonianas. Criado, sob o signo da fase maoísta da Cahiers du Cinéma, o blog de perfil austero, sem imagens ou quaisquer outros artifícios tecnológicos e audiovisuais, se rende às maravilhas do YouTube...Por uma boa causa: dar voz a Jean-Luc Godard. Cada vez mais isolado, mas sempre muito “povoado por dentro” (na definição de Deleuze), Godard acaba de encerrar a temporada de uma instalação, “Viagem(ns) à Utopia – Uma Arqueologia do Cinema”, no Centro Georges Pompidou, em Paris, que não rendeu mais do que uma nota de rodapé – como o próprio Godard previra – nos principais jornais da França.

Apesar da indiferença gaulesa, o articulista da Folha de São Paulo, Bernardo Carvalho, saudou o trabalho godardiano como uma afirmação da radicalidade do artista que, aos 75 anos, continua cheio de vitalidade e cada vez mais fiel e solitário em seus ideais. “Godard tornou a exposição impossível, de modo que dela só restasse a idéia do que poderia ter sido (mas não é), simbolizando assim o estado atual das artes”, escreveu Carvalho.

O momento de Godard contrasta com a declaração de Francis Ford Coppola, na mesma FSP dias depois, reconhecendo, após o fracasso de seus últimos filmes, não saber mais filmar como antigamente, e se desculpando por já não ter a mesma força criativa da época de “O Poderoso Chefão” ou “Apocalipse Now”. Gesto de humildade? Nem tanto... Na mesma ocasião, Coppola anunciava um novo filme em que prometia se redimir.

Enquanto a redenção de Coppola continua improvável, o melhor é aproveitar o furo ao cerco midiático, através dos vídeos disponibilizados no YouTube, para reencontrar um Godard jovem, por ironia em plena fase maoísta do Grupo Dziga Vertov, de aparência esquálida, barba por fazer, confrontado como um estudante de maio de 68 num interrogatório, mas sempre genial, como seus filmes: ontem e hoje.

Confira o vídeo clicando na imagem abaixo:

 

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